Cogumelos contra a quimio, câncer invisível no sangue e o perigo da água quente demais
Neste episódio, conheça uma pesquisa inicial que testa a psilocibina contra danos nervosos da quimioterapia, a policitemia vera — um câncer raro e tratável do sangue — e as evidências que associam bebidas muito quentes a maior risco de um tipo de câncer de esôfago.
Três histórias, três fontes e o contexto necessário para entender o que muda — e o que ainda precisa de confirmação.
01
The New York Times
Psilocibina pode proteger nervos contra danos da quimioterapia
Em um estudo preliminar, camundongos que receberam psilocibina antes da quimioterapia apresentaram menos sinais de neuropatia periférica, um efeito colateral que causa dor, formigamento e dormência.
A pesquisa, publicada na revista Science e reportada pelo The New York Times, administrou duas doses de psilocibina a camundongos antes de sessões de quimioterapia. Nos animais, a proteção contra danos aos nervos persistiu durante seis sessões de quimio e por até oito meses, período observado no estudo. O resultado é promissor porque a neuropatia periférica pode persistir por anos e não tem uma prevenção específica amplamente eficaz. Porém, o estudo foi realizado em camundongos, não em pacientes. Ensaios clínicos em humanos começaram a ser planejados ou iniciados em setembro, mas ainda não há evidência suficiente para usar psilocibina contra neuropatia da quimioterapia nem para substituir cuidados oncológicos. Pessoas com sintomas devem conversar com a equipe de oncologia e não usar a substância por conta própria.
Policitemia vera: um câncer raro do sangue que pode passar despercebido
O relato da apresentadora Maryam Moshiri chamou atenção para a policitemia vera, uma doença rara, incurável, mas tratável, que aumenta o risco de coágulos e pode causar sintomas inespecíficos.
A policitemia vera é uma neoplasia mieloproliferativa em que a medula óssea produz células sanguíneas em excesso, deixando o sangue mais viscoso e aumentando o risco de trombose, AVC e infarto. Maryam Moshiri relatou sintomas como dor de cabeça, visão turva, fadiga, suores noturnos e dor ou queimação nas mãos e nos pés. O diagnóstico pode começar com um hemograma e ser aprofundado por exames específicos. O tratamento pode incluir aspirina, flebotomias — retiradas periódicas de sangue — e medicamentos, conforme avaliação médica. A doença não tem cura conhecida, mas pode ser controlada; um relato público não substitui avaliação clínica e sintomas persistentes têm muitas causas possíveis.
Bebidas muito quentes foram associadas a maior risco de câncer de esôfago
Uma grande coorte britânica associou o consumo de bebidas em temperatura muito quente a risco aproximadamente três vezes maior de carcinoma espinocelular do esôfago, mas a temperatura foi relatada pelos próprios participantes.
O estudo acompanhou quase 980 mil pessoas no Reino Unido por 14 anos e avaliou a temperatura percebida das bebidas, além da frequência de consumo. Comparadas às bebidas mornas, as bebidas classificadas como muito quentes foram associadas a cerca de três vezes mais risco de carcinoma espinocelular do esôfago; o resultado não foi observado para adenocarcinoma. O consumo diário de seis ou mais bebidas quentes também foi associado a aumento do risco, mas a pesquisa é observacional e depende de estimativas subjetivas de temperatura. Tabagismo, álcool e outros fatores podem influenciar o resultado. A medida prática é esperar a bebida esfriar até ficar confortável para beber, sem necessidade de abandonar café, chá ou chimarrão.